É notório o desgaste da temática de relacionamentos no cinema, por isso quando aparece um trabalho que adiciona profundidade e ousadia ao gênero ele deve ser celebrado. É o caso de Namorados Para Sempre.
Somos jogados no dia-a-dia de um casal em crise. O distanciamento afetivo e físico entre eles é enorme. O marido se apega a bebida e a filha, a mulher se concentra no trabalho de enfermeira. Todas as cenas são muito carregadas e melancólicas. Para tentar dar uma aliviada no clima, temos flashbacks que mostram como o casal se conheceu e se apaixonou. O problema é que se formos analisar friamente veremos que desde o início esse relacionamento estava comprometido. Ao meu ver, eles se uniram por motivos errados: ela desesperada com a situação em que se encontrava, ele querendo provar para ele mesmo que o amor à primeira vista existe.
A única cena realmente capaz de nos animar é aquela em que o personagem de Ryan Gosling toca ukelele, enquanto a Michelle Williams faz um sapateado meio alternativo, mas encantador.
Namorados Para Sempre é um filme inegavelmente triste. O roteiro mostra com intensidade um relacionamento que visivelmente não deu certo. Os diálogos esbanjam sinceridade, por isso nos importamos tanto.
Minha única lamentação vai para o título nacional que tentou se aproveitar do dia dos namorados para fazer um pouco mais de grana. Eu entendo que todos precisam de dinheiro, mas um pouco de honestidade é essencial. Provavelmente, Namorados Para Sempre é o último filme que eu veria no dia dos namorados.
8/10
IMDb