Danny Boyle  se utiliza da câmera digital para aproximar Extermínio de uma experiência mais realista possível. Ele também demonstra qualidade ao modificar a atmosfera do filme de acordo com as situações: o começo angustiante em que Jim se descobre só em uma Londres destruída, cenas que exploram o silêncio e o resto de beleza ainda intocada e a vingança sangrenta que se apossa do mesmo Jim nas cenas finais.

Em vez de se concentrar nos zumbis, o roteiro investe no sentimento dos sobreviventes em relação a esta angustiante nova realidade. Em alguns momentos a abordagem de Danny Boyle se aproxima da poesia, como quando Jim aproveita o vento em uma viagem de carro ou quando eles se emocionam ao contemplar uma família de cavalos trotando sem maiores preocupações. Mas não se enganem. Fica bem claro que os sobreviventes não estão seguros em momento algum. Qualquer atitude precipitada pode se transformar em mais uma morte violenta.

Extermínio ainda faz críticas contundentes à natureza humana, que às vezes se mostra mais irracional que zumbis sedentos de sangue. É um dos filmes mais ambiciosos do gênero e não merece ser esquecido.

NOTA: 9 /10