Uma experiência surreal, recheada de simbolismos muitas vezes indecifráveis. Persona precisa de muita atenção para ser minimamente compreendido. A inveja crescente da enfermeira Alma pela atriz que decidiu não mais falar é o ponto central da história. A partir disso, abre-se um leque que pode ser estendido para as relações humanas como um todo.

Apesar da ótima ideia e da curta duração, Persona tem um ritmo arrastado. Mesmo com monólogos interessantes, como o relato de uma experiência sexual na praia, às vezes ficamos um tanto perdidos em meio aos longos diálogos, algo que pode cansar um pouco. O que é um deleite do início ao fim é a beleza da fotografia de Sven Nykvist, que se destaca pelos enquadramentos precisos e pela ótima iluminação, transmitindo com eficiência o sentimento das personagens principais.

Cenas como aquela de um homem queimando vivo ou o close em uma foto de judeus em meio a soldados alemães são inesquecíveis. Todo esse sofrimento pode ajudar a explicar os motivos que levaram a atriz a parar de falar. Bergman não mastigou nada nesse filme, cabe a nós tentar advinhar o que ele quis dizer.