Rango, a primeira incursão da Industrial Light & Magic na animação, mostra que a empresa de George Lucas veio para ficar e que ainda tem muito a oferecer para este nicho. Dirigido por Gore Verbinski (Piratas do Caribe, O Chamado) e roteirizado por John Logan (O Aviador, O Último Samurai, A Máquina do Tempo), Rango traz um ar de novidade para o mundo da animação, já que não tem medo de investir em situações um tanto pesadas, como piadas envolvendo exames de próstata e “uma mulher com muita atividade social”, e também por mostrar personagens “do bem” morrendo em cena, algo não tão comum em desenhos.

Ele não agrada adultos e crianças na mesma proporção. No cinema em que assisti foi perceptível o desinteresse delas depois de um tempo, além de demonstrarem medo em algumas cenas. Felizmente, para o público adulto, Rango é um deleite. Rango é o nome do personagem principal da história, um camaleão que após um acidente na estrada se vê perdido e desidratado no deserto de Mojave. Ele acaba encontrando uma cidadezinha povoada por diversos bichos da fauna local e que sofre pela falta de água. Graças ao seu bom papo, torna-se o xerife e vai tentar ajudá-los de alguma forma.

O requinte técnico impressiona. Imagens belíssimas e contemplativas que exploram o deserto de maneira invejável, uma trilha sonora de Hans Zimmer que remete a clássicos do Western e cenas de ação criativas, que realmente empolgam, são alguns dos exemplos do ótimo trabalho de toda a equipe por trás deste trabalho.

Os amantes do Western vão vibrar com cada cena, com cada detalhe e com cada referência aos filmes do gênero, desde os Western Spaghetti de Leone até De Volta Para o Futuro III. Não tem como não se sentir no Velho Oeste, afinal, temos duelos, um saloon, personagens que cativam pela feíura, esporas, índios, uma cidade com arquitetura típica e até um espírito do oeste, o que acaba se tornando uma ótima homenagem a Clint Eastwood.

São tantas referências que é impossível identificar todas. Particularmente, tive palpitações quando ouvi a trilha sonora tocando acordes de A Cavalgada das Valquírias e do Danúbio Azul, que sempre nos fazem lembrar de  Apocalypse Now e 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Não posso deixar de comentar o ar nostálgico que tive ao perceber que um dos dubladores é Jose Santa Cruz, o mesmo profissional que deu voz ao Dino de Família Dinossauro. Quero ver a versão original com Johnny Depp, mas a versão brasileira está ótima.

Rango tem tudo o que alguém pode esperar de um bom filme: ótimos personagens, técnica impecável e questões morais bem pernitentes. Sem exageros, é possível elevá-lo ao patamar de filmes como Wall-E e Toy Story e aguardar um bom reconhecimento nas premiações do ano que vem.
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