Exit Through the Gift Shop é um dos indicados ao Oscar 2011 de melhor documentário e, aparentemente, tem chances de sair vencedor. Os comentários positivos acerca dele não são poucos, agradando tanto aos críticos como ao público em geral.

Este é um documentário que merece um olhar mais aprofundado. Até o momento não se sabe ao certo se ele é 100% real ou se tem contornos de farsa, o fato é que ele já ganhou espaço de destaque no meio cinematográfico.

Tudo começa com a paixão do francês Thierry Gueta por filmar. Ele leva a câmera para todos os cantos da sua casa e para qualquer lugar que vá. A vida dele segue sem muitos propósitos até ter a ideia de fazer de sua paixão algo relevante, passando a registrar a vida dos artistas de rua, um fenômeno underground que vinha crescendo graças ao subversivos Invader, Bansky e Shepard Fairey, para citar alguns.

Em 87 minutos muitos aspectos interessantes desses artistas são mostrados. Eles são inegavelmente talentosos e possuem uma ânsia incrível de espalhar suas marcas pelas ruas das cidades, como uma autêntica demarcação de território.

Algumas sequências são bem marcantes e com alguma tensão, como aquela em que Banksy resolve demonstrar sua “arte” dentro da Disneylandia.

Eis que de repente, Thierry Gueta passa de um mero cinegrafista a objeto de apreciação. Ele decide parar de registrar os artistas e se tornar um deles. O resultado dessa empreitada deixo para vocês conferirem quando forem assistir ao filme, mas isso merece algumas reflexões.

Exit Through the Gift Shop representa com qualidade o mundo em que vivemos hoje. Um mundo em que, de uma hora para outra, alguém desconhecido torna-se famoso. Um mundo em que receber elogios das pessoas certas, nas horas certas, pode transformar uma besta em um artista bestial.

Transportando esse pensamento para diferentes mídias, não consigo não pensar no cinema e nos críticos. Quem define se um filme é bom ou ruim? Nós mesmos, através de nossos conhecimentos e julgamentos próprios ou somos influenciados por críticos de renome? Podemos encontrar em qualquer canto da internet pessoas que dizem que um filme é bom apenas por ter lido críticos falando bem dele, mas no fundo a pessoa não gostou nada do que viu, sentindo vergonha de falar e defender seu ponto de vista.

Estamos diante de um documentário ágil, sempre interessante e que tem a capacidade de nos fazer pensar sobre o mundo da arte em geral. Se ele é verdadeiro ou uma farsa não sei dizer, mas posso afirmar que o Hype está feito.
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