Micky Ward (Wahlberg) encontrava dificuldades dentro do ringue e fora dele, isso graças a mãe-empresária (Melissa Leo) e ao irmão ex-boxeador e usuário de crack, que se tornou uma lenda local após derrotar Sugar Ray Leonard. A passividade de Micky o fazia aceitar lutas arranjadas pela mãe e pelo irmão, algo que não acabava sendo um bom negócio, já que uma vez foi colocado para lutar contra um cara 10 kg mais pesado e apanhou como um condenado. Após conhecer Charlene (Amy Adams) ele experimenta tomar diferentes rumos para a carreira, almejando ser grande, almejando títulos. Claro que ele fará uma visita ao fundo do poço, resta saber se terá motivação e empenho suficientes para dar a volta por cima.

O filme agrada graças ao quarteto Wahlberg, Mellisa Leo, Christian Bale e Amy Adams. Bale deve, merecidamente, faturar o Oscar de ator coadjuvante. O ator perdeu cerca de 30 quilos para o papel e com maestria demonstra o jeito brincalhão, nostálgico e desesperado do personagem.

O que não merece tanto destaque é a direção de David O. Russell. É um trabalho que sofre pela falta de ousadia e criativade. Admito que é uma direção segura e que a escolha de filmar as cenas de boxe com um estilo de televisão dos anos 90 é acertada, mas o filme simplesmente não empolga e ainda se mostra irregular na tentativa de fazer humor. A cena em que Micky e Charlene assistem a um filme de arte e reclamam da legenda é ótima, mas a sequência suspostamente engraçada das filhas de Alice marchando rumo a casa de Charlene causa estranheza.

Queria gostar mais do que vi, afinal uma história de superação é sempre bacana, ainda mais com tantos bons atores nela. Infelizmente, O Vencedor não é inspirador como Rocky e nem comove como Menina de Ouro. No desfecho, quando poderia nos conquistar, o diretor entrega uma resolução extremamente apressada e sem sal. Algo que era para ter ares de triunfo e conquista acaba ficando insosso. Uma pena.
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