Este drama histórico dirigido por Tom Hooper é dono de qualidades técnicas invejáveis. Tudo está no lugar certo, desde o figurino e direção de arte que recriam com perfeição o período representado, como a fotografia de Danny Cohen e a trilha sonora precisa de Alexandre Desplat. Tudo seria em vão se o filme não tivesse uma alma e ela pode ser encontrada nas ótimas atuações do elenco, principalmente o cada vez mais competente Colin Firth e o sempre ótimo Geoffrey Rush. Colin Fith interpreta Bertie (apenas para os íntimos), o futuro Rei George VI. Sua posição o obriga a falar com os cidadãos constantamente, mas ele é dono de uma gagueira homérica. Para ele, ficar diante de um microfone traz a mesma sensação de ter uma arma apontada para a própria cabeça. Lionel Logue (Rush) é quem vai ajudá-lo a tentar superar o problema.

O grande acerto está na química entre os dois atores e no amadurecimento de uma amizade improvável, afinal, trata-se de um nobre e um mero plebeu. O humor acontece de maneira natural. Ainda bem que os momentos mais engraçados não estão no trailer. Em termos de direção o ague está na construção do clímax. Tom Hooper cria um clima extremamente tenso, trabalhando muito bem com as emoções do público. Meu problema com O Discurso do Rei é o fato dele parecer ter sido construído para conquistar prêmios, abusando do nosso lado sentimental de uma maneira meio artificial. Certo, é um feel good movie histórico, mas não parece estranho que uma gagueira tenha mais importância que a Guerra em si, algo que o filme parece transmitir em seu desfecho?
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