NOTA: 8

À primeira vista parece ser apenas mais um filme sobre a passagem da adolescência para a idade de jovem adulto, mas não é bem assim. Elementos diferentes são adicionados e o resultado é um trabalho original e corajoso. Os pais de Mano estão se separando, pois o pai acabou encontrando uma outra pessoa. Já adianto que é nesse fato que reside a maior surpresa da história, algo que vai abalar bastante o Mano e o irmão Pedro.

O roteirista Luiz  Bolognesi e a diretora Laís Bodanzky representaram de maneira precisa o cotidiano de uma escola de classe média brasileira. É assustador perceber que a cada ano que passa o colégio torna-se um lugar cada vez mais hostil, como o próprio Mano diz, é igual ao Big Brother, parece que todos estão se vigiando e esperando por algum deslize para que possam tirar sarro da outra pessoa. Tudo é muito realista, desde os diálogos com gírias típicas da idade, como as atitudes dos adolescentes. Parece que a diretora colocou uma câmera num colégio e deixou as coisas acontecerem naturalmente. O bullying psicológico e físico retratados não são brincadeira. Um dos melhores momentos do filme é o abraço entre Mano e o irmão Pedro, após aquele ter se tornado vítima  de 3 “valentões” da escola.

Vários personagens são marcantes, como o professor de violão de Mano, que sempre tem bons conselhos para o garoto, o professor de física, interpretado por um seguro Caio Blat e não posso esquecer de mencionar a Carol e seu caderninho de anotações. O grande carisma de Mano deixa tudo ainda melhor. Ele vai amadurecendo com seus erros, passando a pensar por si mesmo. Se me perguntassem, juro que prefiro As Melhores Coisas do Mundo do que Tropa de Elite 2. O mundo adulto, violento e corrupto da nossa nação já me encheu o saco. É impossível não ser tomado por um ar nostálgico enquanto se assiste ao filme. Você acaba recordando das coisas marcantes que fez nessa época e, sejam boas ou ruins, o importante é ter aprendido boas lições com elas.

Título original: As Melhores Coisas do Mundo
Ano: 2010
País: BRA
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Duração: 100 minutos
Elenco: Francisco Miguez, Denise Fraga, Fiuk, Gabriela Rocha, Caio Blat

/as melhores coisas do mundo (2010) –
bruno knott,
sempre.