NOTA: 9

Quando soube que um filme sobre a criação do Facebook seria feito estranhei. À primeira vista me parecia um assunto banal. Me enganei profundamente. O nascimento da mais famosa rede social do mundo envolve diversos detalhes interessantes e nas mãos de David Fincher eles se transformaram em um filme espetacular.

Logo na primeira cena fica claro que A Rede Social valoriza e muito o diálogo dos seus personagens. Em poucos minutos já temos uma ideia de como funciona a cabeça de Mark Zuckerberg e isso se deve ao roteiro de Aaron Sorkin, a marcante atuação de Jesse Eisenberg e também ao fato de David Fincher deixar as coisas acontecerem sem tentar algum tipo de ousadia em termos de direção.

Zuckerberg toma um fora daqueles da namorada e sua ira transforma-se em um site chamado Facemash. O objetivo do site é comparar os atributos físicos de várias garotas de Harvard. Obviamente, o site faz um sucesso estrondoso. São tantas visitas em tão pouco tempo que a rede da universidade cai. Com isso, Zuckerberg ganha fama e atrai a atenção dos gêmeos Winklevoss. Os irmãos querem que Zuckerberg os ajude a criar uma rede social virtual para os estudantes de Harvard. Ele aceita.

Pouco mais de um mês se passa e Zuckerberg não dá sinal de vida para os gêmeos. Juntamente com o amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) ele cria o Facebook, algo bem mais abrangente do que a ideia dos gêmeos.

O diretor David Fincher conta essa história de maneira atraente. São 3 momentos diferentes que se intercalam na tela. No primeiro temos as coisas acontecendo de fato, o facebook sendo criado e tudo o mais. Os outros dois são os processos enfrentados por Zuckerberg. Em um deles, ele é processado pelos gêmeos Winklevoss, que alegam roubo de propriedade intelecual e no outro quem move a ação é Eduardo Saverin, ex-melhor amigo que  foi traído de maneira épica por Zuckerberg.

A Rede Social é daqueles filmes em que tudo funciona: o roteiro que investe  nos diálogos ágeis, a direção segura de Fincher, a trilha sonora envolvente de Trent Reznor (líder do Nine Inch Nails)…

Além de tudo,  A Rede Social tem um ótimo ritmo. Ele termina e você não consegue acreditar como tudo passou tão rápido.

Falando em velocidade, é impressionante a maneira como funciona a mente de Zuckerberg. O filme nos mostra como ele colocou situações simples do cotidiano dentro do seu site. Dificilmente alguém cria alguma coisa do nada. Os gênios tem grande capacidade de observar bem o mundo a sua volta e quando uma ideia aparece eles não descansam até termina-la. Basicamente foi assim que Zuckerberg criou o Facebook e se transformou no bilionário mais jovem do mundo. Até parece fácil!

Outro destaque é a participação de Justin Timberlake. Ele já provou que sabe atuar e dessa vez o cantor/ator se superou. Timberlake faz o papel do criador do Napster, que demonstrando uma malandragem fora do comum, acaba fazendo parte do Facebook e lucrando com ele. A cena em que os dois ficam frente a frente dentro de uma balada e conversam sobre os rumos do site é uma das melhores do longa. Jesse Eisenberg transmite com o olhar a admiração e respeito que seu personagem sente pelo outro.

Por fim, devo dizer que A Rede Social é um dos grandes filmes de 2010. Foram duas horas extremamente agradáveis dentro do cinema. Ele oferece um assunto interessante, trabalhado de maneira inteligente pelo roteiro e inspirada pelos atores. Não existe uma cena desnecessária, não existe uma cena chata. Apesar da seriedade do assunto, há espaço para ótimas cenas de humor que nunca soam forçadas.

Merece ser elevado ao posto de obra-prima? Não sei responder ainda, mas que está perto, está.

Título original: The Social Network
Ano: 2010
País: EUA
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Duração: 121 minutos
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Harmer, Rooney Mara,

/a rede social (2010) –
bruno knott,
sempre.