Título Original: Whatever Works
Ano: 2009
Diretor: Woody Allen

O roteiro do filme é alvo de críticas por ter sido feito nos anos 70 e por contar com clichês do diretor. Algumas situações e diálogos datados são perceptíveis, mas não há tanto problema nisso, pois Woody Allen quer divertir o público de uma maneira despretensiosa.

Boris (Larry David) é um rabugento de 60 anos. Ele se auto-proclama um gênio e se gaba por ter sido indicado a um Nobel da física. Hoje ele ensina xadrez para crianças. Boris sempre diz o que pensa, nunca hesitando em diminuir intelectualmente quem cruza seu caminho. É hipocondríaco, misógino e já tentou suícidio. Essas características garantem risadas e também algumas boas reflexões sobre os padrões da sociedade atual. Uma das melhores cenas é aquela em que Boris acorda de madrugada gritando: “O Horror! O Horror!” numa referência a Apocalypse Now. Sua vida muda quando encontra Melody (Evan Rachel Woods), uma jovem de 20 anos, chorando nas escadas da sua própria casa. A príncipio, ele despeja sarcasmo e mal-humor na moça, mas aos poucos vai admirando o seu jeito relativamente inocente. Os dois se casam e vivem razoavelmente bem. Quando a mãe de Melody entra em cena o casamento corre perigo e o filme ganha em qualidade.

Gosto de Larry David, principalmente por ser co-criador de Seinfeld, mas ele não funciona muito bem aqui. Sua falta de carisma não permite uma aproximação do público. Se Woody Allen fosse o protagonista a história seria outra. Além disso, Boris é o único personagem que não evolui. Todos passam por mudanças significativas em suas vidas e ele continua o mesmo até o último minuto. Mesmo inferior a Match Point e Vicky Cristina Barcelona, Whatever Works proporciona uma boa dose de diversão. Seria mais produtivo para Wood Allen continuar filmando na Europa. O ar do velho continente faz bem ao diretor.

Nota: 7